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Neste início de curso fazemos um convite a todos: você quer compactuar com outros colegas e com nossos alunos sobre uma preocupação de que uma formação integral deve ser guiada por quatro pontos essenciais: aprender a ser, saber, fazer e querer? Então, decididamente, temos que ser os primeiros a aprender, como educadores.

Precisamos aprender com nossos atos que ter a responsabilidade de formar pessoas é ajudá-las a tomar consciência das próprias atuações e como melhorá-las. Então, decididamente, temos que ser os primeiros a aprender, como educadores e como instituição educacional, quanto a nossas próprias atuações e como melhorá-las.

Quando compreendemos que a formação não se esgota na aquisição de conhecimentos que “ emprestamos” de livros, aulas, apostilas, escrituras, palestras então aprendemos que o conhecimento somente tem significado quando gera atitudes e valores coerentes com as novas demandas do mundo contemporâneo. Quando podemos utilizar tanto conhecimento, não de forma emprestada, desenvolvemos novas habilidades e somos capazes de rever nossos conceitos e criar novos hábitos, novas atitudes, novos exemplos.

Quando nós aprendemos sobre ser pessoas melhores então nós podemos ensinar. Libanio (2002), no livro “A arte de formar-se” sugere a necessidade do processo educativo ser uma verdadeira maiêutica histórica, pois as capacidades potencializadas já estão no homem, mas ao longo da existência e da história, os conhecimentos adquiridos e as situações vivenciadas pelo sujeito trazem novos elementos que transformam seu pensar, sentir e agir. Será que não está na hora de aprendermos com Libanio sobre transformarmos nosso pensar, sentir e agir enquanto educadores?

Vejam o peso de nosso compromisso perante tantos “ olhares às vezes perdidos e outras vezes tão ansiosos”. Para Libanio, o homem nasce de sua mãe, mas a partir de determinado ponto deve assumir a responsabilidade pelo parto de si mesmo, pela sua própria história. Estamos empenhados em fazer a nossa própria história, com quais marcas? Já aprendemos sobre fazer o parto de nós mesmos?

Precisamos embutir na nossa experiência educacional, nas nossas ações, uma aprendizagem sobre o papel do ensino, pois ele deve oferecer subsídios que orientem o sujeito para esse momento do parto de si mesmo. A instituição educacional deixa de ser fonte geradora de “cabeça bem cheia”, passando a formar a “cabeça bem feita”, assumindo a responsabilidade de que a educação deva transmitir, de fato, de forma maciça e eficaz, cada vez mais, saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois essas são as bases das competências do presente. Então, decididamente, temos que ser os primeiros a aprender, enquanto educadores.

Na visão de Delors (1999), “(...) à educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, uma bússola que permita navegar através dele”.

Jacques Delors ao organizar o Relatório para a Unesco, apresentado no livro “Educação: Um tesouro a descobrir”, apresenta os quatro pilares que devem nortear as ações da educação, de modo que permitam ao aluno: Aprender a conhecer, Aprender a fazer, Aprender a conviver com os outros e Aprender a ser.

Neste sentido, temos adotado no em nosso projeto pedagógico esses quatro pilares? Precisamos utilizá-los em nosso dia a dia.

Sabemos que o conteúdo programático, conhecimento (objeto) tem sido informado, mas a capacidade de seleção e organização desses conhecimentos, na subjetividade (sujeito) do ser pode não estar sendo priorizada, o que dificulta o indivíduo na busca de sua realização pessoal e profissional. Então podemos ensinar sem ter aprendido e aplicado nas nossas ações como educadores?

Como estão as nossas próprias cabeças, “temos cabeça bem feitas ou bem cheias”? Edgar Morin faz uma importante distinção, nesse sentido, “O significado de uma “cabeça bem cheia” é óbvio: é uma cabeça onde o saber é acumulado, empilhado, e não dispõe de um princípio de seleção e organização que lhe dê sentido. “Uma cabeça bem feita” implica que, ao invés de acumular o saber, é mais importante dispor ao mesmo tempo de : uma aptidão geral para colocar e tratar os problemas, princípios organizadores, que permitam ligar os saberes e lhes dar sentido”.

Como formar “cabeça bem feita” sem orientar a nossa própria necessidade, enquanto sujeito, de entrar em contato com nossa interioridade, reconhecendo nossas capacidades, competências e habilidades e tornando-nos responsáveis pelo nosso auto desenvolvimento, pela nossa auto crítica e pela coerências de nossos atos?

Peter Drucker, que muitos consideram o 'pai da Administração Moderna', também conhecido como 'o guru dos gurus', em uma brilhante apresentação encerrou com algumas colocações para os atuais executivos: “Conheça a si mesmo; saiba exatamente quem você é, conheça suas fraquezas e suas forças e, onde você vai ficar - 'Place yourself'.

Torna-se importante que, nesse mundo caracterizado por tanta ilusão, nós aprendamos a nos situar com lucidez mental. Então, para que tanto conhecimento empilhado na cabeça bem cheia, se corremos o risco de sermos meros papagaios?

Um cenário complexo exige uma “cabeça bem feita” da sociedade, das instituições educacionais e do perfil do educador. A partir desta visão, então, decididamente, temos que ser os primeiros a aprender, como educadores e como instituição educacional, a questionar sobre as novas tarefas das escolas. Estas tarefas estão vinculadas a novos paradigmas para a instituição educacional, para o professor e para o educando, na construção do conhecimento e na busca do auto desenvolvimento. Mas, antes de tudo precisamos fazer a nossa lição de casa.

Place Yourself!

Maria de Lurdes Zamora Damião e Isabel Macarenco
“SÓ É ÚTIL O CONHECIMENTO QUE NOS MELHORA”
Sócrates