
FAENAC, em homenagem ao fundador da Editora Nacional, criou o Centro de Estudos Monteiro Lobato (CEMOL). No CEMOL
congregam-se idéias e filosofias diferentes sob alguns dos ditos temas lobatianos como a valorização do homem do campo, da literatura infantil,
da defesa do subsolo brasileiro, do nacionalismo, do livro didático, da interiorização do livro e da cultura nacional, em particular. O objetivo, além
de explorar a vida, a obra e o pensamento de seu patrono, é levar seus
integrantes à reflexão sobre temas sempre atuais.
Monteiro Lobato era eclético e incansável em sua produção literária. É, ainda hoje, o autor com maior produção de livros para o
público infantil. Também era assíduo na publicação de críticas e contos em periódicos. Fundador
de academias literárias, jornais, revistas, editoras, escolas e até de companhia petrolífera, Monteiro Lobato esteve sempre buscando o novo, o
progresso e a modernidade. Sua trajetória indica, de certa forma, essa incontrolável obsessão pelo trabalho. José Renato Monteiro Lobato nasceu em
1882, em Taubaté, no interior de São Paulo. Em 1900, com seu nome já alterado para José Bento, ele ingressa na
Faculdade de Direito de São Paulo, onde começa uma produção literária mais estável e consistente. Formado, Monteiro Lobato assume o cargo de promotor
público em Taubaté e, posteriormente, em Areias. Em sua primeira incursão pela educação, Monteiro Lobato cria um externato em Taubaté. Começa a escrever artigos para jornais
importantes como O Estado de S. Paulo, e ganha notoriedade. Em seguida compra a Revista do Brasil e, depois do grande sucesso do livro Urupês, funda a Editora
Monteiro Lobato. Em 1921, em um projeto pioneiro ele mostra mais uma vez seu interesse pela educação: lança o livro Narizinho Arrebitado, com distribuição
gratuita para escolas. Depois de investir pesado na modernização do parque gráfico da editora, ela vai à falência. Com seu prestígio literário, logo
encontra um sócio e cria a Editora Nacional. Volta a perder tudo o que tinha com a quebra da bolsa de Nova York, em 1929. Mas funda, em 1931, a Companhia de
Petróleo do Brasil. Ao publicar sérias denúncias em O Escândalo do Petróleo, Monteiro Lobato acaba voltando ao cenário político em uma posição
nada favorável. Ao ser convidado por Getúlio Vargas para o Ministério de Propaganda, Monteiro Lobato escreve uma carta de recusa, dirigindo severas
críticas ao governo. A carta é considerada desrespeitosa e subversiva e ele é preso pelo Estado Novo. Em 1944 ele recusa a indicação para a Academia
Brasileira de Letras e, 4 anos mais tarde, morre em São Paulo.